Category: Politica

Reacao ao descaso do governo com a pesquisa cientifica

Ja’ publiquei aqui um post falando que o governo adiou o aumento da bolsa dos alunos de mestrado e doutorado, e que nao ira’ investir em pesquisa cientifica como havia sido alardeado antes.

Pois bem, parece que alguem tomou uma atitude e resolver fazer uma peticao para que eles cumpram o prometido e invista em pesquisa, como prometido.

http://www.petitiononline.com/Pesq_08/petition.html

Ate’ o momento que escrevo este post apenas 1.900 post foram publicados, entao vamos fazer nossa parte e divulgar a peticao para que mais pessoas possam assinar a peticao.

Reajuste da bolsa da CAPES é adiada (cancelada?)

Hoje ouvi na EPTV que alunos do mestrado e doutorado terão que devolver parte do valor da bolsa recebido em abril referente ao reajuste ocorrido em março. Procurei a notícia no site da CAPES e descobri que o pagamento não pode ser concretizado por que o governo não aprovou o reajuste ainda, e a desculpa é a perda de receita com o fim da CPMF:

http://www.capes.gov.br/servicos/salaimprensa/noticias/noticia_0965.html

Enquanto o governo não aprova os investimentos em educação e pesquisa o presidente da Câmara aprova um aumento para R$ 60.000,00 em verbas de gabinete para os 513 picaretas, oops, deputados:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u392788.shtml

O que mais podemos esperar dos políticos brasileiros?

Nada de TV digital no seu celular

Meu amigo Franz já tinha cantado esta pedra. Realmente não teremos celulares com suporte a TV digital tão cedo aqui no Brasil. Isto se deve ao fato do Brasil ter escolhido o padrão de TV japonês, que é pouco usado até mesmo no Japão. Já o padrão Europeu já é adotado por vários países e isso há alguns anos.

Por que o Brasil escolheu o padrão Japonês? Não foi por superioridade do padrão Japonês (o padrão japonês permite recepcão em veículos em alta velocidade, muito último num país que possui o trem bala, embora o Brasil também possua uma versão “trem bala”), mas a escolha deste padrão foi feita porque a Toshiba prometeu montar uma fábrica de semicondutores no Brasil, mas recentemente voltou atrás na sua promessa. Tarde demais, o Brasil já tinha adotado o padrão Japonês.

Eu participei como bolsista por um curto período do projeto da TV digital (4 meses), e sei que em testes feitos no Brasil em 2001 o padrão Europeu havia levado vantagem e foi escolhido para ser implantado no Brasil. Tudo mudou durante o governo Lula, quiseram dar uma de espertos e acabaram fazendo uma péssima escolha para o país. Digo isso porque a demanda por aparelhos que utilizam o padrão Europeu (DVB) é maior, com isto a producão é maior e o preco final é menor. (Inclusive o kernel do linux já possui suporte ao DVB há anos).

Se você mora na Europa provavelmente já encontrará celulares com recepcão de TV digital disponível no mercado. E o Nokia N96 está a caminho, um “smartphone” semelhante ao N95 só que com mais recurso, incluindo recepcão de TV Digital (DVB-H).

Culpa nossa, que não sabemos eleger nossos representantes.

O mito da Sociedade Transparente

A Internet e as cameras de segurança permitem acesso a vida de muitas pessoas, mas como esta disponibilidade de informação sobre a vida das outras pessoas deve ser tratada?

Se você tem acesso a uma informacão importante sobre mim e eu tenho uma informacão importante sobre você nossos poderes se equivalem, e o balanco de forças se torna normal. Mas Bruce Schneier apresenta um comentário muito interessante mostrando que este equilíbrio de poderes é comprometido quando uma das pessoas tem um poder inicial maior que a outra.

Ele cita alguns exemplos: se um policial te pede sua identificação ele poderá ter acesso instantâneo à sua ficha criminal ou até mesmo adicionar um infração nela. Já você mesmo tendo direito à identificacão do policial não terá os mesmos poderes que ele.

Mas a tecnologia pode ser usada a favor deste equilíbrio de forças. Ele cita o caso do adolescente Erik Crespo que em 2005 foi filmado atirando em um homem num elevador. Ao ser preso o detetive pediu para ele assinar a confissão do crime, mas ele disse que só faria isso depois que conversasse com seu advogado. Mas o detetive disse que só faria isso depois que o jovem assinasse a confissão de culpa.

Durante o julgamento o detetive negou que tenha obrigado o jovem a assinar, mas Crespo tinha gravado mais de uma hora de discussão no MP3 player que ele havia ganhado no natal. Resultado, ao invés de ser condenado a 15 anos de prisão ele ficará apenas 7. Se ele não tivesse gravado a conversa seria a palavra dele contra a do detetive, e em quem o juri acreditaria? Na palavra de um suspeito de assassinato ou em um detetive?

O link para o artigo de Shneier pode ser lido aqui:
http://www.wired.com/politics/security/commentary/securitymatters/2008/03/securitymatters_0306

PACiência

Fiquei feliz ao receber um email do meu amigo Jean com uma matéria sobre o Programa de Aceleração do Crescimento para área de ciência e tecnologia.

A matéria do site Inovação Tecnológia diz que o país irá aumentar o investimento na ciências dos atuais 1,02% do PIB para 1,5%.

O minístro Sérgio Resende está se sentindo orgulhoso ao dizer que o país investirá 1,5% do PIB em Ciência. Porém porcentagem não diz muita coisa. (“Nunca esqueço da aula de uma professora da graduação comentando que um colega dela chegou na sala dos professores dizendo que havia perdido 50% do seu rebanho, todos na sala ficaram comovidos com a dor do professor. Então depois de algum tempo ela perguntou para ele quantas cabeças de gado ele tinha, para sua surpresa ele disse que tinha 4 vacas”).

E isso se aplica ao PIB e a quantidade de alunos. Em educação o país gasta aprox. 4% do PIB, este número é bem próximo ao que EUA e Alemanha gastam (5,3% e 4,4% respectivamente), porém no caso dos EUA o PIB é enorme e no caso da Alemanha a quantidade de alunos é pequena. O resultado é que o gasto com cada aluno no Brasil é quase 10X menor o que os países desenvolvidos gastam.

Apesar de todo entusiasmo apresentado na matéria acima, acredito que ainda é pouco para um país gigantesco como o Brasil. Mas sem dúvida este aumento já é um passo enorme. Comparando com o rebanho do professor, o aumento do PIB em educação será de quase 50%.

Outra melhoria segundo o artigo será o sistema de importação.
Atualmente o governo tem um programa chamado “Importa Fácil”, que só é fácil no nome. A burocracia é ainda maior que uma importação comum. Aqui na UFRGS tentamos comprar um GPS usando este sistema. Além de preencher uma ficha enorme e estranha(que eles dizem que irão simplificar), você paga uma taxa de R$ 150,00 se for a primeira vez que compra o produto. Sem contar que o vendedor tem que te mandar um pre-forma carimbado e assinado pelo vendedor.

Depois dessa maratona quando o produto chega, dependendo do estado onde você mora, é cobrado ICMS e você tem que solicitar isenção do mesmo. Resultado, você perderá mais algumas semanas ou meses com este processo. No nosso caso resolvemos adiantar o processo e pagaremos o ICMS. Bom, você deve estar curioso(a) pra saber quando começamos o processo de compra do GPS? O pedido de compra do GPS foi feito dia 5 de fevereiro de 2007 e até hoje não chegou. Mas tenho esperança que antes do ano novo ele chegará.

Portanto a dica para quem quer comprar um produto importado para pesquisa: compre pelo processo normal de importação, pague o dobro do preço original do produto em impostos ou, opção 2, contacte alguém de fora que esteja vindo ao Brasil e peça à pessoa para trazer o que você deseja.

Como diria a Glória Maria: “Que Brasil eim?”

Fonte(s):
http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=010175071123
http://www.cristovam.com.br/index.php?id=1695&sc=15&secao=secoes.php
http://wwwcapedagogiavc.blogspot.com/2007/09/em-lista-de-34-pases-brasil-o-que-menos.html